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No mercado financeiro, um Cisne Negro é um evento raro, imprevisível e normalmente caótico. Algo que aparece do nada e muda completamente a percepção das pessoas.
O Cisne Branco talvez seja justamente o contrário.
Uma surpresa improvável, mas positiva.
Daquelas que surgem sem expectativa nenhuma e, ainda assim, entregam muito mais do que deveriam.
E foi exatamente assim que esse café apareceu no QG do TCT.
Um cara apareceu por aqui tomando café e comentou que um amigo havia começado a produzir próximo de Belo Horizonte. Perguntou se poderia mandar uma amostra.
Eu sempre digo sim para amostras de produtores.
Semanas depois, o café chegou.
Na primeira xícara já veio o susto:
um natural exemplar. Frutadíssimo. Doce. Com uma leve fermentação natural daquelas bonitas - que aparecem quando o café é muito bem colhido e seco lentamente, sem exageros, sem maquiagem.
Liguei para o produtor na hora.
Queria entender aquilo.
Henrique, um recém-produtor de café, havia feito sua primeira colheita em um pequeno sítio na cidade de Carandaí-MG.
Produção total: apenas 10 sacas.
Variedade Arara.
Colhido no dedo, fruto a fruto.
Secagem lenta e cuidadosa.
Sem uso de agrotóxicos, em uma produção naturalmente orgânica.
E talvez aí esteja a graça toda:
eu mesmo nunca tinha tomado um café de Carandaí.
O verde cheira a pamonha.
O torrado lembra caramelo e frutas vermelhas.
Na xícara?
Drinkabilidade absurda.
Doçura alta.
Fruta limpa.
Aquele perfil que faz você querer tomar outra xícara imediatamente.
É um Arrojado com A maiúsculo.
Aos que gostam de café frutado: toma.
Aos que tinham dúvida: deixarão de ter.
Aos que ainda não sabem o que é um café frutado realmente bom: saberão.
Arara.
Colhido a dedo.
De uma cidade que eu não conhecia.
De um produtor em sua primeira safra.
Indicado por um cliente aleatório que entrou no QG só para tomar um café.
Isso é Cisne Branco.
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